A visão geral da comercialização de energia no setor elétrico brasileiro foi apresentada aos associados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA) em curso exclusivo ministrado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com o apoio da Usina São Martinho, que abiu as portas da unidade de Pradópolis para receber mais de 40 participantes.

O objetivo do curso foi apresentar aos representantes das usinas associadas que já atuam no mercado de comercialização de energia e àqueles que planejam entrar no ramo os detalhes do funcionamento desse segmento. O conteúdo abordou Leilões do Ambiente Regulado; regras e procedimentos de comercialização; etapas do processo de contabilização (PLD, contratos, medição, contabilização e liquidação financeira) e desconto na tarifa de uso da rede de distribuição (TUSD).

“Foi muito amplo, instrutivo, abordou todos os aspectos e o mais legal foi a composição da equipe multidisciplinar. Tem pessoas do jurídico, do comercial, do operacional. Isso reflete a preocupação da usina inteira em entender sobre a operação e tentar disseminar conhecimento para obter melhores resultados”, avaliou Márcio Rogério Nordi, consultor de energia da Cocal, um dos participantes do curso.

“Procuramos trazer o contexto de negócio da CCEE, mas olhando a necessidade da usina a biomassa. Nivelamos os conhecimentos para todos estarem no mesmo patamar e trouxemos dados de contabilização e históricos para a gente introduzir o contexto da usina a biomassa e ficar claro para todos como isso que estamos apresentando os impacta”, explicou Edmilson Ferreira da Silva, especialista em gestão do mercado da CCEE.

Liminares 

Um dos temas que gerou mais interesse foram as liminares do risco hidrológico, referentes ao GSF (Generation Scaling Factor), um fator utilizado para distribuir a energia gerada pelas hidrelétricas dentro do MRE (Mecanismo de Realocação de Energia). Atualmente, por conta das liminares, muitas usinas a biomassa deixam de receber por energia elétrica entregue ao sistema, no Mercado de Curto Prazo.

“Desde 2015, temos várias liminares que foram ganhando volume financeiro. Hoje, a conta está em torno de 7,6 bilhões em aberto. Isso é um valor que deveria ser recolhido dos devedores e pago aos credores. Esse dinheiro não aparece na liquidação, todos os credores são impactados”, explicou o representante da CCEE.

Essa era uma das dúvidas de Nordi. “Um grande problema que as usinas estão enfrentando é o GSF, que agora está travando o mercado, e foi apresentado de uma forma bem didática. Acho que todos vão sair daqui entendendo um pouco mais”, afirmou.

A realização de cursos focados em bioeletricidade tem sido uma iniciativa regular, desde 2017, das gerências de capacitação da CCEE e da gerência de bioeletricidade da UNICA. “A iniciativa da CCEE e da UNICA contribui para qualificar gestores do setor sucroenergético envolvidos diretamente e indiretamente no processo de comercialização da bioeletricidade sucroenergética, em uma atividade que tem frequentes alterações regulatórias. Por isso a importância da capacitação contínua no entendimento dos aspectos da comercialização de energia”, avalia Zilmar Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA.