Ethanol Summit Notícias jun 23, 2019

O painel “Tecnologia no canavial: produtividade e resultados” do Ethanol Summit apresentou um panorama do desempenho dos canaviais brasileiros e as soluções integradas que podem auxiliar o agricultor a inovar de maneira ágil.

Sergio Mattar, diretor de marketing do CTC, expôs uma análise sobre o desempenho da cana-de-açúcar entre os anos de 1980 e 2017. Os estudos realizados pelo CTC compararam o desempenho da cana, no Brasil, com o do milho, nos Estados Unidos, e o da beterraba, na Europa. No período de 37 anos, a produtividade do milho aumentou 90%, a da beterraba cresceu 103%, enquanto a da cana melhorou apenas 11%.

Ao analisar as variáveis que contribuíram para esses avanços, o levantamento do CTC levou em conta a melhorias genéticas, o ambiente e o manejo promovidos em cada cultura. No caso do milho, percebeu-se uma intensa melhoria genética e uma leve mudança no ambiente de cultivo.

Em relação à beterraba houve tanto melhoria genética, quanto no ambiente e no manejo. Já no caso da cana, os ganhos de produtividade com a melhoria genética foram minimizados pela grande mudança no manejo devido a expansão da mecanização do setor e no ambiente, uma vez que houve, no período analisado, expansão para novas geografias. “Criou-se uma demanda para resolver o quadro de envelhecimento do canavial, que era de 3,2 anos e hoje se situa em 4 anos em um ciclo de 5 anos”, afirmou Mattar.

Segundo ele, nos países considerados celeiros de alimentos o uso de biotecnologia é altíssimo, acima de 94%. No caso da cana-de-açúcar, os gastos atuais no controle de pragas, plantas daninhas

e doenças superam os R$ 30 bilhões por ano. “São valores altos para um setor cujo faturamento é de R$ 100 bilhões por ano”, avaliou o pesquisador. Tais gastos poderiam ser evitados com uso de biotecnologia. Dessa forma, o CTC, ao investir no melhoramento genético da cana-de-açúcar, optou por desenvolver uma variedade com resistência a broca da cana, que causa despesas anuais de R$ 12 bilhões. “Atualmente 60 % das usinas do Centro-sul estão usando essa variedade e já estamos com outra em fase de avaliação na CTNBIO”, diz Mattar.

No mesmo painel, as empresas Syngenta, Basf e FMC apresentaram outras soluções integradas disponíveis ao produtor de cana-de-açúcar, que busca mais eficiência no controle de pragas e, consequente aumento de produtividade. O destaque ficou com a Sygenta, que lançou recentemente a primeira semente artificial de cana. Trata-se da Plene Emerald, constituída por cápsulas que, em seu interior, apresentam alguns propágulos vegetativos protegidos de danos físicos e de perda de umidade.

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