Em setembro, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) indicam o maior consumo de etanol hidratado em 2019 – 1,87 bilhão de litros, crescimento de 4,1% em relação ao mesmo período de 2018.

O aumento se reflete na participação do etanol na matriz de combustíveis do ciclo Otto (frota de veículos de passeio e carga leve), que atingiu 48,2% em 2019 (etanol hidratado e etanol anidro somados e convertidos em gasolina equivalente).Trata-se do maior valor desde 2009, quando o índice atingiu 48,4%, no período de janeiro a setembro.

No acumulado do ano, a expansão do volume atinge 22,8% em comparação a 2018, superando 16,3 bilhões de litros de etanol. Na região Norte-Nordeste, o consumo do biocombustível aumentou em mais de 200 milhões de litros (+18%) em relação ao acumulado de 2018, totalizando 1,33 bilhão de litros. Esse resultado representa o maior volume consumido de janeiro a setembro desde 2010 para a região.

O Centro-Sul do país, por sua vez, principal região produtora e consumidora, também apresentou números notáveis. Os 15,03 bilhões de litros consumidos de janeiro a setembro de 2019 representam o recorde em toda a série histórica, com o aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Esse avanço expressivo no consumo do biocombustível reflete a maior competitividade do hidratado frente a gasolina e decorre de um indicativo de mudança de hábito dos consumidores em virtude dos conhecidos benefícios ambientais obtidos pela sociedade por meio do uso do etanol”, explica Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da UNICA.

Quando avaliadas as emissões de gases causadores de efeito estufa (GEE) no ciclo de vida dos combustíveis, o etanol proporciona uma redução de até 90% da emissão de GEE em relação à gasolina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a emissão de CO2eq do cultivo da cana-de-açúcar até a queima do combustível no veículo atinge, em uma usina típica brasileira, 440 kg, enquanto o volume de emissão equivalente para a gasolina totaliza 2,8 toneladas de CO2eq. O etanol praticamente zera a emissão de partículas inaláveis, poluente muito agressivo para a saúde (mais de 98% em relação a gasolina e diesel), bem como a de hidrocarbonetos tóxicos.

Análise de paridade

De acordo com o levantamento realizado pela ANP, a paridade média de preços (hidratado/gasolina) na região Norte-Nordeste permaneceu estável em 2019, na casa de 78,1%, quando comparada ao mesmo período de 2018.

Destaque para o Estado da Bahia, que registrou a menor paridade entre todas as federações, com 75,6% ante 76,4% em 2018. Essa melhora na competitividade do renovável propiciou um aumento de 100 milhões de litros no consumo de hidratado no estado ante o mesmo período do ano anterior, com um volume acumulado de janeiro a setembro de 429,7 milhões de litros, recorde histórico.

Na região Centro-Sul o cenário está ainda mais vantajoso ao biocombustível, com paridade média de 65,8%, versus 66,4% em 2018. Nos Estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, o indicador de competitividade atinge 64%, muito aquém do rendimento técnico médio de 70%, refletindo diretamente na escolha do consumidor em optar por um combustível limpo e renovável.