De volta ao Brasil depois de uma série de reuniões com representantes do governo, de fundos de investimentos e empresários dos Emirados Árabes Unidos, em Dubai e Abu Dhabi, o diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão, revela que os árabes abriram um bom espaço para futuras discussões de como fortalecer uma parceria em relação ao etanol brasileiro. A participação da UNICA faz parte do projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O Executivo conta que o objetivo da missão foi levar uma ideia de trabalho conjunto, fomentando o aumento ou implementação da mistura de etanol à gasolina como forma de combater três grandes desafios dos países, principalmente asiáticos: aquecimento global, poluição local e desenvolvimento rural.

“O uso do etanol traz três benefícios claros e diretos: ambiental, melhoria da saúde pública e desenvolvimento econômico. Ambiental, pois reduz em mais de 90% as emissões comparativamente à gasolina; de saúde pública, pela redução de emissões de vários poluentes deletérios à saúde nas grandes cidades, como SOx, material particulado e hidrocarbonetos; e econômica, pela possibilidade de aumentar e diversificar a renda de produtores rurais em diversos países, utilizando as mais diversas matérias primas”, informa Leão, destacando um potencial quarto benefício, que seria a redução da dependência de importações dos derivados de petróleo.

IRENA
Além de reuniões com agentes da cadeira produtiva, o diretor executivo da UNICA participou de reunião com representantes da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), cuja sede global é em Abu Dhabi.

“A reunião foi muito produtiva, e ficou claro que a biomassa, e particularmente os biocombustíveis, estão fortemente inseridos na agenda da IRENA, com papel preponderante para o atingimento das metas globais de redução de gases de efeito-estufa, principais causadores do aquecimento global”, comenta o diretor.

Recentemente, a agência divulgou o estudo Global Energy Transformation (2019) que revela que os biocombustíveis serão fundamentais para se reduzir em 70% as emissões globais de CO2 até 2050. Além disso, a IRENA apresenta um roadmap e sugere que seria possível ainda quadruplicar o atual nível de mistura do etanol na gasolina, atingindo um nível de até 25%, e de forma sustentável. A expansão de área necessária para essa produção adicional utilizaria pouco mais de 1% do total de áreas agricultáveis no mundo.

PROJETO
A Apex-Brasil e a UNICA publicaram, em fevereiro de 2008, estratégia para promover a imagem dos produtos sucroenergéticos no exterior, em especial do etanol brasileiro como uma energia limpa e renovável. As duas entidades assinaram um convênio que prevê investimentos compartilhados.

O projeto pretende influenciar o processo de construção de imagem do etanol e demais derivados da cana junto aos principais formadores de opinião mundial, bem como empresas de trading, potenciais investidores e importadores, ONGs e consumidores.