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Entidades mundiais rebatem críticas do presidente da OPEP aos biocombustíveis
16/07/2008


Por meio de uma carta aberta veiculada nesta quarta-feira (16/07/2008) em um dos principais jornais diários do mundo, o Financial Times de Londres, as quatro principais entidades representativas da produção de etanol no mundo respondem as críticas feitas recentemente contra os biocombustíveis pelo presidente da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil. São elas a brasileira UNICA, a Associação de Combustíveis Renováveis do Canadá (CRFA), a Associação de Bioetanol Combustível da Europa (eBIO) e a Associação de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA).

Na carta, que ocupa uma página inteira do jornal, as entidades rebatem a afirmação de Khelil, que acusou o etanol de ser responsável por 40% do aumento no preço mundial do petróleo. Com base em uma “explicação enganosa”, dizem as associações, “podemos apenas concluir que a OPEP vê a competição com os biocombustíveis como uma ameaça direta ao cartel que os senhores criaram e continuam a manter”.

Sob o título “OPEP fatura bilhões, mas culpa biocombustíveis... Confuso?”, a carta aberta a Khelil apresenta, item por item, diversas constatações sobre o que a competição entre os combustíveis renováveis e o petróleo tem provocado. A primeira delas é que os biocombustíveis lideram a ruptura do domínio da OPEP sobre o futuro da energia mundial.

A carta aponta a manipulação de preços realizada ao longo do tempo pelo cartel para impedir que formas alternativas de combustíveis pudessem colocar em risco o domínio do petróleo, estratégia que agora começa a ser enfraquecida pelo surgimento de novas fontes de energia. Apesar disso e graças aos preços exorbitantes do petróleo, os países que integram o cartel ainda terão, em 2008, uma receita de US$ 1,2 trilhão.


A carta também aborda a redução da dependência global de petróleo com o uso de biocombustíveis e afirma que a competição é um antídoto contra o cartel da OPEP, destacando o fato de o preço da gasolina estar estabilizado no Brasil desde 2006, em grande medida devido à forte presença do etanol no mercado.  O texto mostra ainda que os biocombustíveis não interferem em nenhum dos fatores que têm elevado os preços do barril de petróleo, ao contrário do que sugeriu o presidente da OPEP.

O documento encerra dizendo que “para suprir de combustíveis, de modo sustentável, as necessidades de uma população mundial crescente, novas fontes renováveis precisam ser trazidas para o mercado”. E conclui: “talvez, o tempo de a OPEP enfrentar concorrentes finalmente chegou”.

Clique aqui e leia a íntegra da carta publicada pelas quatro entidades no Financial Times.

 
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